
Toda semana é assim, não tenho a menor idéia do que vou escrever, mas confio em meus sapatos escritos.
As histórias vão surgindo por entre letras e caminhadas, mas exclusivamente esta semana eu ainda não sei o que escrever. Escrever é difícil para burro. Ainda mais quando temos a pressão de um monte de gente que vai ler, um gatekepper especial e um público em formação. Escrever
não é simplesmente cortar palavras, como diz Drummond.
Algumas palavras, assim como sentimentos, são tão fortes que nunca podem ser cortadas ou se tornarem invisíveis para sempre. Escrever de forma autoral é ainda mais complicado.
Tem dias que o texto flui, tem dias que ele emburra, tem dias que nem dias é, mas é preciso escrever. Acho que já deu para perceber que essa coluna não será como as
outras, não será recheada de humor ou de críticas sociais.
Esta será uma coluna de enrolação, onde vou levar o leitor por um caminho e no final ele vai dizer assim: “ô lixo, já acabou, texto doido?!”.
Mas escrever, assim como filosofar, é preciso e quem nunca escreveu nada deveria se aventurar. Hoje me sinto com vontade de estar em uma Kombi, pintada com formas psicodélicas, numa pracinha qualquer, de uma cidade qualquer, escutando a chuva batendo no teto e conversando bobagens para ver se a inspiração bate.
Mas os desejos não produzem textos e nem enchem sapatos, o máximo que eles produzem são fadas, que podem ser as menores do mundo ou as que só existem em nossa imaginação, como um dia pensou o inglês J.M. Barrie, autor de Peter Pan.
Textos também produzem sonhos e incógnitas na cabeça de muita gente que lê essa coluna e pensa que ele foi escrito para alguém ou com um porquê. Na verdade, este texto pode estar cheio de energias, que em camadas, como as de cebola do Shrek, podem levar a luz plena. Mas isso pode ser apenas um devaneio, como pensar que Dom Quixote pode estar na esquina em busca de doces de beijinho ou tabuleiros de xadrez, para jogar com Dulcinéia.
As palavras buscadas e rebuscadas, desenhadas e codesenhadas podem levar a personagens de quartetos fantásticos de alguém, que se sente carente, ou simplesmente desembocar em um beijo caloroso e dormir de conchinha embaixo de um edredom azul.
A coluna de hoje, para a maioria, não vai dizer nada com nada, mas para alguns ela vai ser traduzida em cotidiano. Escrever realmente é difícil para burro, mas para entender um texto completamente como esse tem que ser como elefante, que tem uma boa memória, mas é burro também. É conhecer os segredos da esfinge traduzidos em decifra-me ou te devoro.
Então?! Vocês podem me acusar de tudo, só não podem dizer que eu não avisei antes e que a condicionante era terminar o texto dizendo assim: “ô lixo, já acabou, texto doido?!”.

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